quarta-feira, 2 de março de 2011

O ato de garantir o respeito a uma zona de exclusão aérea na Líbia, como tem sido discutido pela Otan, exigiria o bombardeamento dos sistemas de defesa aérea daquele país, afirmou nesta terça-feira o general James Mattis, chefe do Comando Central americano.

"Seria uma operação militar", afirmou.

Os Estados Unidos e seus aliados estão estudando a possibilidade de uma ação militar na Líbia, incluindo a criação de uma zona de exclusão aérea, para impedir o ditador Muammar Kadhafi de continuar usando suas forças de segurança para massacrar os manifestantes, que protestam exigindo sua renúncia.

Embora o exército de Kadhafi possua armamento bastante defasado em relação aos arsenais dos Estados Unidos e da Otan, o regime mantém ativos dezenas de mísseis terra-ar capazes de derrubar os caças da Aliança Atlântica.

A doutrina militar americana normalmente exige que as defesas aéreas e os radares de um potencial adversário sejam neutralizadas antes de qualquer bombardeio.

Pouco antes das declarações do general Mattis, as forças armadas americanas já haviam se mobilizado nas proximidades da costa líbia para o caso de uma ação militar conjunta com a Otan, incluindo um porta-aviões com centenas de fuzileiros navais a bordo.

Além disso, o USS Kearsarge, um navio anfíbio de assalto acompanhado por duas outras embarcações, devem cruzar o Canal de Suez vindo do Mar Vermelho em breve, segundo dois oficiais americanos que pediram o anonimato.

A tripulação anfíbia do USS Kearsarge conta com 800 fuzileiros navais, uma frota de helicópteros e unidades médicas. Este gigante é útil tanto em ações humanitárias quanto em operações militares.

Chefes militares americanos também estão preparando uma série de opções para o presidente Barack Obama, ao mesmo tempo em que discutem a situação com seus pares europeus. Entretanto, as chances de uma intervenção militar na Líbia permanecem nebulosas, de acordo com os oficiais americanos entrevistados pela AFP.

"Acho que (as sugestões para Obama) incluem tudo, de uma demonstração de força a algo com maior envolvimento", estimou uma das fontes. "O presidente ainda não tomou nenhuma decisão sobre o uso das forças armadas".

Analistas acreditam que uma simples demonstração de força ocidental na costa da Líbia por si já seria o suficiente para aumentar a pressão sobre Kadhafi, mas um dos oficiais americanos estimou que a mobilização do poderio americano não foi um gesto vazio.

"Há marinheiros em navios indo naquela direção, é real", destacou.

Outro porta-aviões americano, o USS Enterprise - cujos caças seriam usados para garantir a zona de exclusão aérea - também pode ser mobilizado para a crise líbia.

O navio encontra-se atualmente no norte do Mar Vermelho, perto da entrada do Canal de Suez, segundo o site da Marinha americana.

Para manter a zona de exclusão aérea, entretanto, seria necessário um número muito maior de aeronaves. Para isto, os Estados Unidos poderiam recorrer às bases que mantêm no sul da Itália.

Mesmo assim, Washington precisaria pedir a autorização para utilizar o espaço aéreo de países da região, como o Egito e a Tunísia.
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Análise Novo Governo de Dilma

Boa parte do capital político da presidente Dilma Rousseff será consumido nos próximos meses para suportar a pressão política e social decorrentes dos cortes do Orçamento deste ano, detalhados na segunda-feira pelo governo, avaliam analistas e políticos.

Os cortes envolvem cerca de 85 por cento de todas as emendas dos deputados e senadores ao Orçamento deste ano e retira mais de 5 bilhões do programa Minha Casa, Minha Vida 2, ícone da campanha eleitoral de Dilma, reduzindo sua previsão de gastos de 12,7 bi de reais para 7,6 bilhões de reais.

Além disso, eles atingem os ministérios da Educação e da Justiça, áreas prioritárias no discurso da petista durante a disputa eleitoral e dão munição para a oposição apontar seu antecessor, e tutor, Luiz Inácio Lula da Silva, como gastador irresponsável.

"É mais fácil fazer no primeiro ano de governo do que fazer depois, porque é possível queimar gordura com popularidade que tem no primeiro ano e acho que ela está apostando nisso. Vai queimar o capital político em torno do corte", disse o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para Roberto Romano, da Unicamp, Dilma está plantando algumas sementes que terá que colher no futuro.

"O que acontece é que ela está acumulando pontos negativos. Primeiro com sindicalistas, porque eles têm que responder para suas bases e explicar o que aconteceu com o mínimo é difícil", disse Romano.

"O segundo aspecto é que esse conjunto de oligarcas do Congresso tem que se explicar com prefeitos e dizer que as emendas não estão sendo pagas. E isso desde já são dois pontos complicados na agenda da presidente com o Congresso", acrescentou.

Para ele, caso a inflação não responda aos cortes e demais medidas tomadas pelo governo nos próximos meses, as pressões sobre a presidente serão maiores. Romano vai além e diz que se o crescimento econômico tiver uma queda acentuada, Dilma "não mantém" o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

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